Nome: _____________________________________________ Data: ____/____/_____
O silêncio do rouxinol
[...]
Na época de Salomão, o melhor dos reis, um homem comprou um rouxinol que possuía uma voz excepcional. Colocou-o numa gaiola em que nada faltava ao pássaro e na qual ele cantava, horas a fio, para encanto da vizinhança.
Certo dia, em que a gaiola havia sido transportada para uma varanda, outro pássaro se aproximou, disse qualquer coisa ao rouxinol e voou. A partir desse momento, o incomparável rouxinol emudeceu.
Desesperado, o homem levou seu pássaro à presença do profeta Salomão, que conhecia a linguagem dos animais, e lhe pediu que perguntasse ao pássaro o motivo de seu silêncio.
O rouxinol disse a Salomão:
– Antigamente eu não conhecia nem caçador, nem gaiola. Depois me apresentaram a uma armadilha, com uma isca bem apetitosa, e caí nela, levado pelo meu desejo. O caçador de pássaros levou-me, vendeu-me no mercado, longe da minha família, e fui parar na gaiola deste homem que aí está. Comecei a me lamentar noite e dia, lamentos que este homem tomava por cantos de gratidão e alegria. Até o dia em que outro pássaro veio me dizer: “Pare de chorar, porque é por causa dos seus gemidos que eles o mantêm nessa gaiola”. Então, decidi me calar.
Salomão traduziu essas poucas frases para o proprietário do pássaro. O homem se perguntou: “De que adianta manter preso um rouxinol, se ele não canta?”. E lhe devolveu a liberdade.
CARRIÈRE. Jean-Claude. O círculo dos mentirosos: contos filosóficos do mundo inteiro. São Paulo: Códex, 2004.
1. O fato que gera o conflito na história é o pássaro
a) possuir uma voz excepcional.
b) ter emudecido.
c) ser um rouxinol.
d) encantar a vizinhança.
2. No trecho “...cantava, horas a fio, para encanto da multidão.”, a expressão “horas a fio” tem o sentido de
a) de vez em quando.
b) durante muito tempo.
c) pousado em um fio.
d) sem cobrar por isso.
3. A decisão de não mais cantar, comunicada pelo rouxinol a Salomão, que a traduziu para o homem, teve, como consequência, o homem
a) não entender a tradução.
b) ficar desesperado.
c) libertar o rouxinol.
d) silenciar o rouxinol.
4. O trecho do texto que contém uma opinião é Obs: (§= parágrafo)
a) “Na época de Salomão, o melhor dos reis,...”(1°§)
b) “Pediu que perguntasse ao pássaro o motivo de seu silêncio.”... (3°§)
c) “Comecei a me lamentar noite e dia,...”(5° §)
d) “E lhe devolveu a liberdade.”(6°§)
LXIII
Como se combina com os pássaros
a tradução de seus idiomas?
Como dizer à tartaruga
que a supero em lentidão?
Como perguntar à pulga
qual seu recorde de saltos?
E que devo dizer aos cravos
agradecendo-lhes o perfume?
NERUDA, Pablo. Livro das perguntas. São Paulo: Cosac Naify, 2008.
5. O poema é estruturado em quatro estrofes, que expressam quatro perguntas sobre um mesmo assunto. Pelo assunto comum às perguntas que o eu poético se faz, podemos entender que o tema do poema é
a) a superioridade do animal racional em relação aos demais seres vivos.
b) a necessidade de aprendermos a nos comunicar com bichos e plantas.
c) a falta de harmonia entre os seres humanos e a natureza.
d) a impossibilidade de comunicação do homem com os bichos e as plantas
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